Marcos Rocha
 
 
O Lugar mais seguro da Terra
 
 

Em um mundo cada vez mais violento, competitivo, individualista, cresce o desespero da alma do homem por um lugar seguro, de paz e alegria. Cansado de tanto lutar para alcançar padrões impostos por essa sociedade fria e voraz, o homem se pergunta: Existe mesmo esse lugar?

Na verdade esse lugar não só existe, como está mais próximo do que imaginamos. No entanto, para encontrá-lo devemos responder uma outra pergunta: Onde está o nosso irmão? Essa, foi a pergunta crucial de Deus para Caim que reverbera fortemente nos dias de hoje. Infelizmente, a resposta de Caim tem sido a grande miséria da humanidade ao longo de todos os anos: “Não sei, acaso sou eu guardador do meu irmão?”

Em 1 Co 11, o apóstolo Paulo exorta os irmãos da igreja de Corinto sobre o tipo de ceia eles estavam tomando. A ceia do Senhor ou a ceia pessoal de cada um deles? Certamente, aquilo não era, nem de perto, a expressão da ceia do Senhor. Eles se reuniam não para compartilhar uns com os outros, mas sim, para apenas um ritual religioso vazio e opressor. Ninguém esperava pelo irmão para comer e, rapidamente, tratavam de garantir o seu. O enfoque não era o repartir o pão e sim, o comer o pão. Por isso, muitos se embriagavam com todo seu apetite, enquanto muitos passavam fome. A conseqüência desta falta de discernimento do corpo de Cristo, da comunidade espiritual, é fraqueza, doença e morte.  

“A resolução de cuidar de si mesmo quebra a comunhão com Deus e com os outros e implica a violação de nossa natureza, pois fomos criados para sermos doadores. E isso é a causa de toda atribulação humana.” Essas palavras de Larry Crabb nos dão uma boa noção das causas de tão grande angústia do coração do homem que fez a opção pelo isolamento.

Talvez não seja exagero dizer que a razão da grande procura por terapeutas profissionais é a existência de tão poucos amigos espirituais. E quem são esses amigos se não aqueles aflitos que nos darão a segurança de ficarmos aflitos. Pessoas que não acertam todas conosco, mas cuja motivação é sempre o desejo de acertar por nos amarem. Pessoas que não usam máscaras de uma espiritualidade inalcançável que só nos oprime. Pessoas que tem conta para pagar, que sentem dor de cabeça, que se entristecem, mas que sobre todas as coisas nos impulsionam em direção ao conhecimento de Deus.

Fundados e arraigados em amor, juntos com todos os Santos, poderemos, então, compreender qual é a largura, o comprimento, a altura e a intensa profundidade do amor de Cristo, para que sejamos cheios de toda a plenitude de Deus. Ele se manifesta na comunhão dos irmãos. Cada um de nós carrega um pouco dos atributos de Deus e quando aceitamos o desafio de vivermos nessa comunidade espiritual, podemos conhecê-Lo pelo exercício do amor, da paciência, da longanimidade, do domínio próprio, da mansidão, da fé. Deus não é servido por mãos humanas. Então, a forma como podemos servi-Lo é submetendo-nos uns aos outros em amor.

Onde está seu irmão? Muitos maridos perderam suas esposas apesar de dormirem ainda juntos. Muitas esposas não conseguem mais acessar o coração do marido. Muitos pais nunca conheceram, de fato, quem são seus filhos. Muitos filhos têm perdido o enorme privilégio de ter seus pais como melhores amigos.

Por mais difícil que pareça, uma vida em comunidade com os irmãos é, sem dúvida, o lugar da cura, do conhecimento de Deus, do exercício do amor, da maturidade, o lugar mais seguro da terra. Na comunhão sincera é o onde Deus ordena a benção e a vida para sempre. Portanto, aqueles que fazem a opção por não pertencer a essa unidade da Igreja estão fora da vida e sofrem a penosa conseqüência de sua individualidade.

Somente quando encontramos o nosso irmão, nosso cônjuge, nossos pais, nossos filhos é que, então, chegamos ao lugar mais seguro da terra. Que Deus nos abençoe nessa jornada em busca do nosso irmão.
 
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